domingo, 5 de fevereiro de 2017
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
POSTAL DE NATAL DE UMA PUTA EM MINNEAPOLIS
"Olá Charley, estou grávida
E a viver na rua 9
Mesmo por cima de uma livraria nojenta
à beira de Euclid Avenue
Deixei de meter droga
E parei de beber whiskey
O meu homem toca trombone
E trabalha no caminho de ferro
Ele diz que gosta de mim
Ainda que o bebé não seja dele
Diz que o vai criar como a um verdadeiro filho
Ofereceu-me um anel que a mãe costumava usar
E sai comigo pra dançar
Todos os sábados à noite
E Charley, penso sempre em ti
Todas as vezes que passo numa bomba de gasolina
Por causa da brilhantina que usavas o cabelo
E ainda tenho aquele disco de Little Anthony e os Imperials
Mas roubaram-me o gira-disco
O que é que se há-de fazer?...
Olha Charley, quase dei em doida
Quando o Mário foi de cana
Por isso voltei para Omaha
Para viver com os meus velhos
Mas toda a gente que conhecia
Ou morreu ou estava presa
Então voltei para Minneapolis
E desta vez penso que vou ficar por cá
Sabes Charley, pela primeira vez desde o acidente
Parece-me que sou feliz
Só queria ter agora todo o dinheiro
Que costumávamos gastar em droga
Comprava um parque de carros usados
E não vendia nenhum
Para usar um diferente em cada dia
A condizer com a maneira como me sentiste
Oh Charley, por amor de Deus,
Queres saber toda a verdade?
Não tenho nenhum marido
Ele não toca trombone
E preciso de dinheiro emprestado
para pagar ao advogado
E olha Charley, devo sair com pena suspensa
No dia de S. Valentim."
Tom Waits
terça-feira, 4 de outubro de 2016
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
sábado, 13 de junho de 2015
Rayuela, Cortazar
"Uma barcaça cor de vinho, Maga, e porque foi que não partimos nela enquanto ainda era tempo."
" onde é que tu estás , onde estaremos nós a partir de hoje, dois pontos de um universo inexplicável , próximos ou afastados um do outro , dois pontos que criam uma linha , que se afastam e aproximam de forma arbitrária , mas não te vou explicar isso a que chamam os movimentos brownianos , mas no entanto, nos os dois desenganos uma figura, Maga
Tu és um ponto em qualquer parte e eu outro noutra , ambos em movimento , e pouco a pouco vamos construindo uma figura absurda , desenhando com os nossos movimentos uma figura idêntica à que duas moscas fazem numa sala
Uma figura interminável e sem sentido ."
" onde é que tu estás , onde estaremos nós a partir de hoje, dois pontos de um universo inexplicável , próximos ou afastados um do outro , dois pontos que criam uma linha , que se afastam e aproximam de forma arbitrária , mas não te vou explicar isso a que chamam os movimentos brownianos , mas no entanto, nos os dois desenganos uma figura, Maga
Tu és um ponto em qualquer parte e eu outro noutra , ambos em movimento , e pouco a pouco vamos construindo uma figura absurda , desenhando com os nossos movimentos uma figura idêntica à que duas moscas fazem numa sala
Uma figura interminável e sem sentido ."
quarta-feira, 15 de abril de 2015
O Carteiro de Pablo Neruda, António Skármeta
“- Filhinha, se você confunde a poesia com a política, não demora muito a ser mãe solteira. O que te disse ele?
Beatriz tinha a palavra na ponta da língua, mas temperou-a uns segundos com a sua quente saliva.
– Metáforas.
A mãe agarrou-se à maçaneta da sua rústica cama de bronze, apertando-a até se convencer de que conseguia derretê-la.
– O que tem, mãe? O que ficou a pensar?
A mulher veio para junto da rapariga, deixou-se cair em cima da cama, e com a voz a desvanecer-se disse:
– Nunca te ouvi uma palavra tão grande. Que “metáforas” te disse?
– Disse-me… Disse-me que o meu sorriso se estende como uma mariposa no meu rosto.
– E que mais?
– Bem, quando disse isto eu ri-me.
– E então?
– Então ele disse uma coisa do meu riso. Disse que o meu riso era uma rosa, uma lança que se desembainha, uma
água que estoira. Disse que o meu riso era uma repentina onda de prata.
A mulher humedeceu os lábios com a língua trémula.
– E então o que fizeste?
– Fiquei calada.
– E ele?
– O que mais me disse?
– Não, filhinha. O que mais te fez! Porque o seu carteiro além de boca há-de ter mãos.
– Nunca me tocou. Disse que estava feliz de estar deitado junto de uma jovem pura, como à beira de um oceano branco.
– E tu?
– Eu fiquei calada a pensar.
– E ele?
– Disse-me que gostava de mim quando ficava calada, porque estava como que ausente.
– E tu?
– Eu olhei para ele.
– E ele?
– Ele olhou também para mim. E depois
deixou de olhar-me nos olhos e ficou muito tempo a olhar para o meu
cabelo, sem dizer nada, como se estivesse a pensar. E então disse-me
“falta-me tempo para celebrar os teus cabelos, um por um devo contá-los e
louvá-los”.
A mãe pôs-se de pé e cruzou diante do peito as palmas das mãos, horizontais como as lâminas de uma guilhotina.
– Filhinha, não me conte mais nada.
estamos perante um caso muito perigoso. Todos os homens que primeiro
tocam com a palavra, chegam depois mais longe com as mãos.
– Que mal têm as palavras! – disse Beatriz abraçando-se à almofada.
– Não há pior droga que o blá-blá. Faz
uma taberneira de aldeia sentir-se como uma princesa veneziana. E
depois, quando chega a hora da verdade, o regresso à realidade, reparas
que as palavras são um cheque sem cobertura. Prefiro mil vezes que um
bêbedo te apalpe o cu no bar, a que te digam que o teu sorriso voa mais
alto que uma mariposa!
– Estende-se como uma mariposa! – saltou Beatriz.
– Que voe ou que se estenda vem a dar o
mesmo! E sabes porquê? Porque por trás das palavras não há nada. São
fogos de artifício que se desfazem no ar.
– As palavras que me disse Mario não se desfizeram no ar. Sei-as de cor e gosto de pensar nelas quando trabalho. (...)
- Primeiro, nota-se à légua que as coisas que te disse foi copiá-las a Neruda.
- Não, mãe! Ele olhava para mim e as palavras saíam-lhe como pássaros da boca."
terça-feira, 3 de março de 2015
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
O amante, Marguerite Duras
"Anos depois da guerra, depois dos casamentos, dos
filhos, dos divórcios, dos livros, ele veio a Paris com a mulher. Telefonara-lhe.
Sou eu. Ela reconhecera-o logo pela voz. Ele dissera: queria só ouvir a sua
voz. Ela dissera: sou eu, bom dia. Ele estava intimidado, tinha medo como
dantes. A sua voz tremia de repente. E com o tremor, de repente, ela voltara a encontrar a pronúncia da China. Ele sabia que ela ti8nha começado a escrever livros, soubera-o pela mãe dela que voltara a ver em Saigão. E depois dissera-lho. Dissera-lhe que era como dantes, que ainda a amava, que nunca poderia deixar de a amar, que a amaria até à morte."
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
sábado, 27 de dezembro de 2014
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
sábado, 13 de dezembro de 2014
Subscrever:
Mensagens (Atom)












